Coreia do Norte acusa CIA de complô para matar Kim Jong-Un

 

Plano de assassinato envolveria uso de substâncias bioquímicas, segundo Ministério de Segurança norte-coreano

Imagem sem data divulgada pela agência oficial norte-coreana mostra Kim Jong-Un em visita a área militar na Ilha de Jangjae, no Sul do país – STR / AFP

PYONGYANG — Em um momento de tensões elevadas, a Coreia do Norte acusou nesta sexta-feira a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos de conspirar com a Coreia do Sul para assassinar o líder do país, Kim Jong-Un. De acordo com comunicado emitido pelo Ministério de Segurança norte-coreano, a CIA e os Serviços de Inteligência de Seul teriam planejado “um vicioso complô com substâncias bioquímicas” para matar o dirigente durante cerimônias públicas em Pyongyang.

“Assassinar usando substâncias químicas que incluem substâncias radioativas e nano-substâncias venenosas é o melhor método, pois não requer aproximação do objetivo, e seus efeitos letais aparecerão depois de seis ou 12 meses”, afirma a nota, citada pela imprensa estatal, sem dar detalhes sobre como o complô teria sido desbaratado ou o que aconteceu com o suposto espião que deveria executar o crime.

O comunicado diz que a CIA e os Serviços de Inteligência sul-coreanos (IS) corromperam ideologicamente e subornaram um cidadão norte-coreano chamado Kim para executar o ataque contra o líder do país.

A acusação foi divulgada após a intensificação da guerra verbal entre Coreia do Norte e Estados Unidos nas últimas semanas.

A Coreia do Norte, que tenta produzir mísseis com capacidade de transportar ogivas nucleares até o continente americano, executou cinco testes nucleares, dois deles em 2016. Muitos analistas acreditam que o sexto teste nuclear é iminente.

Há poucos dias, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou na ONU que todas as opções estão sobre a mesa a respeito da Coreia do Norte e as ameaças de testes nucleares.

Quatro tentativas e assassinatos atribuídos à Coreia do Norte

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  • Lee Han-young desertou para a Coreia do Sul, com ajuda da Suíça, em 1982 Foto: AP

    Primo traidor

    Sobrinho da ex-mulher do líder norte coreano Kim Jong-il, Lee Han-young foi morto a tiros em frente ao seu apartamento em Seul, na Coreia do Sul, em 1997. Desertor, ele era um crítico ferrenho ao tio e ao seu país. As investigações apontaram que Lee foi morto por agentes norte-coreanos, que fugiram antes que pudessem ser capturados.

SANÇÕES

A acusação de complô vem um dia após a Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovar quase por unanimidade novas sanções contra Coreia do Norte, que ainda devem ser examinadas pelo Senado.

O texto tenta transformar em lei a proibição de que navios norte-coreanos ou de outros países, que estariam violando as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, de operar em águas americanas ou de atracar em algum de seus portos.

Os bens produzidos com mão de obra forçada também teriam a entrada proibida nos Estados Unidos, que por sua vez também podem sancionar os estrangeiros que façam uso deste tipo de trabalhadores explorados na Coreia do Norte.

O projeto de lei requer que o governo de Donald Trump se pronuncie, em um prazo de 90 dias, sobre a decisão de voltar a classificar a Coreia do Norte como “um Estado que apoia o terrorismo”, uma lista da qual o país comunista havia sido retirado em 2008.

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